»-(¯`v´¯)-» Refugio de meus Sonhos »-(¯`v´¯)-» O amor nos possibilita enxergar lugares do nosso coração que sozinhos jamais poderíamos enxergar.












Serenata do Adeus

Ai, a lua que no céu surgiu
Não é a mesma que te viu
Nascer dos braços meus
Cai a noite sobre o nosso amor
E agora só restou do amor
Uma palavra: adeus
Ai, vontade de ficar
Mas tendo de ir embora
Ai, que amar é se ir morrendo pela vida afora
É refletir na lágrima
Um momento breve
De uma estrela pura, cuja luz morreu
Ah, mulher, estrela a refulgir
Parte, mas antes de partir
Rasga o meu coração
Crava as garras no meu peito em dor
E esvai em sangue todo o amor
Toda a desilusão
Ai, vontade de ficar
Mas tendo de ir embora
Ai, que amar é se ir morrendo pela vida afora
É refletir na lágrima
Um momento breve de uma estrela pura
Cuja luz morreu
Numa noite escura
Triste como eu

Vinicius de Moraes

Postado por:
Refugio de meus Sonhos às 15:43








Os versos que te dou

Ouve estes versos que te dou, eu
os fiz hoje que sinto o coração contente
enquanto teu amor for meu somente,
eu farei versos...e serei feliz...

E hei de fazê-los pela vida afora,
versos de sonho e de amor, e hei depois
relembrar o passado de nós dois...
esse passado que começa agora...

Estes versos repletos de ternura são
versos meus, mas que são teus, também...
Sozinha, hás de escutá-los sem ninguém que
possa perturbar vossa ventura...

Quando o tempo branquear os teus cabelos
hás de um dia mais tarde, revivê-los nas
lembranças que a vida não desfez...

E ao lê-los...com saudade em tua dor...
hás de rever, chorando, o nosso amor,
hás de lembrar, também, de quem os fez...

Se nesse tempo eu já tiver partido e
outros versos quiseres, teu pedido deixa
ao lado da cruz para onde eu vou...

Quando lá novamente, então tu fores,
pode colher do chão todas as flores, pois
são os versos de amor que ainda te dou.

J. G. de Araújo Jorge

Postado por:
Refugio de meus Sonhos às 13:27





SONETO DA SEPARAÇÃO

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.


Vinicius de Moraes

Postado por:
Refugio de meus Sonhos às 19:48








O Lenço Dela

Quando a primeira vez, da minha terra
Deixei as noites de amoroso encanto,
A minha doce amante suspirando
Volveu-me os olhos úmidos de pranto.

Um romance cantou de despedida,
Mas a saudade amortecia o canto!
Lágrimas enxugou nos olhos belos...
E deu-me o lenço que molhava o pranto.

Quantos anos, contudo, já passaram!
Não olvido porém amor tão santo!
Guardo ainda num cofre perfumado
O lenço dela que molhava o pranto.

Nunca mais a encontrei na minha vida,
Eu, contudo, meu Deus, amava-a tanto!
Oh! quando eu morra estendam o meu rosto
O lenço que eu banhei também de pranto!

Álvares de Azevedo

Postado por:
Refugio de meus Sonhos às 22:16









Penso em ti


EU PENSO em ti nas horas de tristeza
Quando rola a esperança emurchecida
Nas horas de saudade e morbidez
Ai! Só tu és minha ilusão querida
Eu penso em ti nas horas de tristeza.


Vê quanta sombra me escurece o seio!
Que palidez sombria no meu rosto!
Tu és a única luz da treva em meio
Tu és a minha estrela do sol posto...
Contigo a sombra não me tolda o seio.


Quando a teus pés o meu viver s'escoa,
Esqueço a minha sorte, o meu martírio,
Minh'alma como a pomba em sangue voa
Para ir se abrigar à tua, ó lírio,
Quando a teus pés o meu viver s'escoa ...


Bendito o riso desses lábios túmidos!
Bendito o meigo olhar tão peregrino!
Como o sol abre a flor nos campos úmidos
Crenças desperta o teu divino olhar...
E o riso, o riso desses lábios túmidos


Ai! volve! volve peregrina estrela...
Minh'alma é o templo de um amor suave
À tua espera o lampadário vela...
À tua espera perfumou-se a nave...
Ai! volve! volve peregrina estrela!

Castro Alves

Postado por:
Refugio de meus Sonhos às 16:35







SONETO DE VÉSPERA

Quando chegares e eu te vir chorando

De tanto te esperar, que te direi?

E da angústia de amar-te, te esperando

Reencontrada, como te amarei?


Que beijo teu de lágrima terei

Para esquecer o que vivi lembrando

E que farei da antiga mágoa quando

Não puder te dizer por que chorei?


Como ocultar a sombra em mim suspensa

Pelo martírio da memória imensa

Que a distancia criou — fria de vida


Imagem tua que eu compus serena

Atenta ao meu apelo e à minha pena

E que quisera nunca mais perdida...


Vinicius de Moraes

Postado por:
Refugio de meus Sonhos às 19:21













"Quando pensar em desistir, lembre-se de tudo que você já enfrentou pra chegar onde chegou, e aí pense se não vale a pena tentar outra vez"!








"ser profundamente amado por alguem nós da força... Amar alguém profundamente nós dá coragem".

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    Turbulências

    Paulo Roberto Gaefke

    Da angústia em que me encontrava, fiz estrada,
    caminho novo com novos pensamentos,
    onde eu duvidava, acreditei,
    onde eu não enxergava, pude ver,
    e no meio da noite escura, eu acordei,
    e renovei a minha vida, pensando em você.

    Na imensa tempestade, o meu barco virou,
    na difícil caminhada, meu peito cansou,
    no meio da neve, meu pé congelou,
    e com o coração partido, meu dia se apagou,
    mas no meio de tanta turbulência,
    eu renovei o pensamento, encontrando você.

    Assim, quando eu pensei que era o fim, foi começo,
    quando não via mais saída, era apenas a largada,
    e quando pensei que era morte, era vida renovada,
    e quando senti mais medo e tudo era escuro,
    eu pude Te sentir e ver uma grande luz,
    e hoje eu posso dizer, que sou feliz,
    porque te encontrei, amigo Jesus.